quinta-feira, dezembro 03, 2009
quarta-feira, setembro 09, 2009
A Casa

A casa do artista plástico José Bechara (Rio de Janeiro 1957) teve a sua primeira figuração no contexto de um workshop no Paraná, em Maio de 2002.
Então a casa, literalmente uma casa, colorida, tropical, expulsava os seus haveres de um modo quase lúdico, quase infantil, quase rebelde.
Era o início de um outro – mais um - processo de criação e de experimentação, prática obsessivamente permanente do artista.
Depois a casa apareceu mais tarde na quase-forma com que é instalada no pátio em frente ao Museu Gulbenkian.
A casa assume agora o lado absolutamente físico, atlético da sua condição de construção e o lado metafórico da condição de vida.
Nesta casa temos, pois, algo que vem de outros trabalhos e suportes de José Bechara como as lonas de camiões oxidadas, as peles curtidas de bovinos como telas, as folhas de papel enferrujadas e suspensas.
O lado físico, o lado do confronto entre o corpo e a construção artística plástica é da ordem da criação do artista.
Por isso é possível falar nesta dimensão atlética da casa, da sua fisicalidade, de fluidos que são os móveis e os pertences expulsos pelos orifícios da casa que faz com que expressões como a ’casa vomita‘, a ’casa cospe’, a ’casa expulsa‘, numa aparente elegância que lhe é dada pela composição, tenham todo o sentido.
E é neste momento que nos aproximamos da metáfora possível desta casa: a casa não contém mais a tensão no seu interior seja ela social, psicológica, afectiva, política e tem de expulsar.
Mas é na forma desta expulsão que está também a pertinência desta obra porque este movimento é de regeneração do interior da casa, da vida e do que faz as ideias.
Para Bechara, no contexto de toda a sua obra, é fulcral a regeneração, a capacidade de fazer circular a energia nas suas várias expressões: na arte, no dinheiro, nas cidades, nas casas e nada disto é apocalíptico.
Pelo contrário, o vazio que se imagina ficará como fim no interior da casa e é, em segredo, quase um poema haiku ou um aforismo essencial sobre a vitalidade, sobre a energia da criação.
In Texto alusivo à peça nos jardins da Gulbenkian e imprensa
terça-feira, julho 21, 2009
Vende-se caixinha de ódios
Venho por este meio anunciar a disponibilidade de venda imediata de caixinha de ódios. Já é considerada uma antiguidade.
Construída em madeiras nobres trabalhadas ao longo de vários anos, tem o tamanho de 10 X 20, mas aumenta exponencialmente, quando o seu o conteúdo é reavivado.
A mesma torna-se maior em caso de: indução de culpa, rejeição, abandono, sentimento de traição e de desqualificação. Bonito objecto de decoração, embora às vezes não se enquadre com os restantes elementos decorativos.
Vende-se barato.
Construída em madeiras nobres trabalhadas ao longo de vários anos, tem o tamanho de 10 X 20, mas aumenta exponencialmente, quando o seu o conteúdo é reavivado.
A mesma torna-se maior em caso de: indução de culpa, rejeição, abandono, sentimento de traição e de desqualificação. Bonito objecto de decoração, embora às vezes não se enquadre com os restantes elementos decorativos.
Vende-se barato.
quarta-feira, julho 15, 2009
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