Ontem, inesperadamente, escutei Sérgio Godinho, na rua. A feira que agora há, tão perto de casa, é do norte. Há tantos anos, a norte de tanta coisa. Agora, teoricamente, nem tanto. Teoricamente, digo. Mas não tenho a certeza. Há um som agradável ao fundo. Até me apeteceria um cigarro. Talvez seja esta coisa de tentar apreciar a solidão. Ou tolerar. De repente, estou vivo e tenho sentidos. O lugar habita-me. Conjugo o olfacto - tostas mistas, árvores, tabaco ao longe e porventura o odor da cerveja. O tacto, o vento que passa pela minha pele. A visão não é o centro. As crianças também se fazem escutar naquela linguagem universal - "golo". Também parecem discutir algumas regras. E eu, onde estou? Talvez disperso entre tantos nadas. (A bola veio ter comigo). Preciso tanto de me fazer a sombra imaginária de mim próprio, de esperar que a noite caia para poder aparecer, sentar-me no anfiteatro e escutar o poeta...
domingo, dezembro 29, 2019
21/07/2018
E a tarde, instala-se. Os sons de pessoas mais ou menos encontradas ressoam na esplanada com vista para o anfiteatro. Recordou-me a Gulbenkian, talvez por haver também verde, mas é muito mais ruidoso. Famílias, amigos, amigas. E alguém, em bronze, imóvel, também na esplanada, suponho o poeta da terra. Talvez o anfiteatro, que está em frente, se encha de pessoas quando a noite desce para escutar os seus versos, pessoas vindas das sombras. Das sombras imaginárias. Estão todas naquele anfiteatro. Mas só quando a luz se for.
Conflitos da parentalidade - 23/08/2017
Encurralado entre a impossibilidade de conter e conseguir levar a bola para a frente! Odeio tudo isto. Apetece-me desaparecer. A escolha é entre passar-me e dar-me ao respeito. Segunda chance: como? Não brinco, até esclarecermos as coisas. Não passou e não está tudo bem. Autolegitima as suas explosões sem sequer considerar a asneira que fez. Palmadas não são solução. Conversa TB n. Cum caneco! E agora? Tão só, tão só, tão só.
16/08/2016
E o som, acompanha-me, mas sinto-me somente só. Peço mais uma imperial. E vem à ideia o cigarro. Os sons de gente algo ruidosa sobrepõem-se ao saxofone. Não é nada mau o som. Fecho os olhos e parece que estou noutro lugar. E estou. Não encontro as palavras para o que me vai dentro. É uma solidão.
Chegou a imperial. Também ela está acompanhada. E o som continua. Está bonito agora. Já lembrei São Petersburgo, Tomar! E agora, Évora.
O que enche são memórias?
O que sinto falta? A amizade descontraída. Cuida-se de algumas, outras, deixam-se partir e depois transformam-se elas também em memórias!
O que sinto falta? A amizade descontraída. Cuida-se de algumas, outras, deixam-se partir e depois transformam-se elas também em memórias!
É o brilho nos olhos! Missing all of you.
11/08/2016
(a)pesar
(a)pesar do tempo de chuva
(a)pesar da repetição
(a)pesar do desconforto
(a)pesar do concreto
(a)pesar do retraimento
(a)pesar da (des)confiança
(a)pesar da impossibilidade
(a)pesar da desqualificação
que, às vezes, traz uma profunda tristeza... Sim, é o que sinto. E afasto-me de ti, porque me revejo. Revejo-me nas histórias em que não se é escutado, porque a mente já está ocupada, pela dor antiga, pelo incómodo presente, e, assim, o que é apenas algo torna-se algo qualificado... que depressa, em reacção, é desqualificado. Perigo de morte. Peso. Temporal. Raiva. Apesar do cuidado... mas com paradoxalidade... enquanto eu agradeço que não tomem iniciativa sobre as minhas comunicações... o tanto tempo que levou... e o quão precioso isso é.
Respiro fundo, a ver se a raiva não consome o que há de bom. Queria contentar-me harmoniosamente... só um bocadinho... só um bocadinho... mas remeto-me ao silêncio (ainda hoje li, o amigo que nunca trai).
Quero estar bem. Quer que estejas bem. Mas não consigo chegar a ti. As palavras parece que sufocam ou saem presas... os meus gestos não saem presos mas parece que incomodam...
Não consigo chegar a ti. Há tanta coisa entre nós e há tanta coisa que tem que haver para que às vezes possamos estar unidos. Nunca, quando a dor da realidade esmaga. Aí, estamos juntos, acho eu. Mas não quando a impossibilidade interna atrapalha, quando depositamos, em maus bancos, boas expetativas.
Triste, cansado. Custa ver a repetição. O alento de que talvez, porque isso acontece num todo que, acho eu, tem alguma constância, no papel e lugar do conhecido, embora isso levante alguns dias de identificação a agressores.
O meu sonho era poder dizer que da bagagem que trazemos, já nada nos impede de podermos sonhar, mais juntos, mais alto, mais fortes.
Talvez eu tenha medo de sonhar, por sentir o peso de tanta responsabilidade. Talvez possa questionar o que dizes que são sonhos... mas são sonhos, mesmo?... é que, às vezes, parecem fugas.... fugas... fugas... Mas estás a fugir de quê? Às vezes penso numa insolvência identitária.
31/07/2016
Para onde?
Se não vislumbro lugar que cative e ao mesmo tempo que conforte.
Se não vislumbro lugar que cative e ao mesmo tempo que conforte.
Para onde?
Se sinto que o que está à volta não me chama e que agora não me pertence.
Se sinto que o que está à volta não me chama e que agora não me pertence.
Para onde?
Se apenas me quero deixar cair mas apenas consigo fazer isso no meu lugar, e é naquele lugar a que chamo casa.
Se apenas me quero deixar cair mas apenas consigo fazer isso no meu lugar, e é naquele lugar a que chamo casa.
Para onde?
O sino da igreja toca e dá música, chama para a celebração. Outros sons sugerem múltiplas vidas, diversos acontecimentos... Nada me ocorre.
O sino da igreja toca e dá música, chama para a celebração. Outros sons sugerem múltiplas vidas, diversos acontecimentos... Nada me ocorre.
Para onde?
Enquanto estou no carro, parado - também é um pouco a minha casa - oiço música africana que me lembrou um festival de sons vividos em Amesterdão. Tão longínquo. As cores, a comida, o movimento dos corpos. Tão longe.
Enquanto estou no carro, parado - também é um pouco a minha casa - oiço música africana que me lembrou um festival de sons vividos em Amesterdão. Tão longínquo. As cores, a comida, o movimento dos corpos. Tão longe.
Para onde?
Vejo e sinto uma séries de coisas fossilizadas, paradas no tempo e na minha indisponibilidade de conseguir ser. A música morreu, a arte morreu, a escrita definha, a cultura a ser esquecida. Ganho mais, mas empobreço.
Vejo e sinto uma séries de coisas fossilizadas, paradas no tempo e na minha indisponibilidade de conseguir ser. A música morreu, a arte morreu, a escrita definha, a cultura a ser esquecida. Ganho mais, mas empobreço.
Para onde?
Vou vender a minha guitarra, o meu piano. O resto não tem valor de mercado. Estou cansado.
Vou vender a minha guitarra, o meu piano. O resto não tem valor de mercado. Estou cansado.
Para onde?
O cosmos do Carl Sagan devolve-me à minha insignificância e à não capacidade mental de apreender tais viagens...
O cosmos do Carl Sagan devolve-me à minha insignificância e à não capacidade mental de apreender tais viagens...
Para onde?
Não me consigo decidir. Uma imperial à beira mar, mas será que há lugar para o carro, será que se estará bem? Tenho que conduzir até lá. Estou tão cansado de conduzir.
Não me consigo decidir. Uma imperial à beira mar, mas será que há lugar para o carro, será que se estará bem? Tenho que conduzir até lá. Estou tão cansado de conduzir.
Para onde?
À beira rio. Demasiadas pessoas. Umas em ritmo diferente, outras deixando-se cair exuberantemente, outras conhecidas. E apetece-me estar escondido. O problema: o esconderijo transforma-se em prisão
À beira rio. Demasiadas pessoas. Umas em ritmo diferente, outras deixando-se cair exuberantemente, outras conhecidas. E apetece-me estar escondido. O problema: o esconderijo transforma-se em prisão
Sinto-me arrasado, pesado e triste.
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