domingo, dezembro 29, 2019

11/08/2016

(a)pesar

(a)pesar do tempo de chuva

(a)pesar da repetição

(a)pesar do desconforto

(a)pesar do concreto

(a)pesar do retraimento

(a)pesar da (des)confiança

(a)pesar da impossibilidade

(a)pesar da desqualificação

que, às vezes, traz uma profunda tristeza... Sim, é o que sinto. E afasto-me de ti, porque me revejo. Revejo-me nas histórias em que não se é escutado, porque a mente já está ocupada, pela dor antiga, pelo incómodo presente, e, assim, o que é apenas algo torna-se algo qualificado... que depressa, em reacção, é desqualificado. Perigo de morte. Peso. Temporal. Raiva. Apesar do cuidado... mas com paradoxalidade... enquanto eu agradeço que não tomem iniciativa sobre as minhas comunicações... o tanto tempo que levou... e o quão precioso isso é.

Respiro fundo, a ver se a raiva não consome o que há de bom. Queria contentar-me harmoniosamente... só um bocadinho... só um bocadinho... mas remeto-me ao silêncio (ainda hoje li, o amigo que nunca trai).

Quero estar bem. Quer que estejas bem. Mas não consigo chegar a ti. As palavras parece que sufocam ou saem presas... os meus gestos não saem presos mas parece que incomodam... 

Não consigo chegar a ti. Há tanta coisa entre nós e há tanta coisa que tem que haver para que às vezes possamos estar unidos. Nunca, quando a dor da realidade esmaga. Aí, estamos juntos, acho eu. Mas não quando a impossibilidade interna atrapalha, quando depositamos, em maus bancos, boas expetativas.

Triste, cansado. Custa ver a repetição. O alento de que talvez, porque isso acontece num todo que, acho eu, tem alguma constância, no papel e lugar do conhecido, embora isso levante alguns dias de identificação a agressores.

O meu sonho era poder dizer que da bagagem que trazemos, já nada nos impede de podermos sonhar, mais juntos, mais alto, mais fortes.

Talvez eu tenha medo de sonhar, por sentir o peso de tanta responsabilidade. Talvez possa questionar o que dizes que são sonhos... mas são sonhos, mesmo?... é que, às vezes, parecem fugas.... fugas... fugas... Mas estás a fugir de quê? Às vezes penso numa insolvência identitária. 



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