Ontem, inesperadamente, escutei Sérgio Godinho, na rua. A feira que agora há, tão perto de casa, é do norte. Há tantos anos, a norte de tanta coisa. Agora, teoricamente, nem tanto. Teoricamente, digo. Mas não tenho a certeza. Há um som agradável ao fundo. Até me apeteceria um cigarro. Talvez seja esta coisa de tentar apreciar a solidão. Ou tolerar. De repente, estou vivo e tenho sentidos. O lugar habita-me. Conjugo o olfacto - tostas mistas, árvores, tabaco ao longe e porventura o odor da cerveja. O tacto, o vento que passa pela minha pele. A visão não é o centro. As crianças também se fazem escutar naquela linguagem universal - "golo". Também parecem discutir algumas regras. E eu, onde estou? Talvez disperso entre tantos nadas. (A bola veio ter comigo). Preciso tanto de me fazer a sombra imaginária de mim próprio, de esperar que a noite caia para poder aparecer, sentar-me no anfiteatro e escutar o poeta...
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