Para onde?
Se não vislumbro lugar que cative e ao mesmo tempo que conforte.
Se não vislumbro lugar que cative e ao mesmo tempo que conforte.
Para onde?
Se sinto que o que está à volta não me chama e que agora não me pertence.
Se sinto que o que está à volta não me chama e que agora não me pertence.
Para onde?
Se apenas me quero deixar cair mas apenas consigo fazer isso no meu lugar, e é naquele lugar a que chamo casa.
Se apenas me quero deixar cair mas apenas consigo fazer isso no meu lugar, e é naquele lugar a que chamo casa.
Para onde?
O sino da igreja toca e dá música, chama para a celebração. Outros sons sugerem múltiplas vidas, diversos acontecimentos... Nada me ocorre.
O sino da igreja toca e dá música, chama para a celebração. Outros sons sugerem múltiplas vidas, diversos acontecimentos... Nada me ocorre.
Para onde?
Enquanto estou no carro, parado - também é um pouco a minha casa - oiço música africana que me lembrou um festival de sons vividos em Amesterdão. Tão longínquo. As cores, a comida, o movimento dos corpos. Tão longe.
Enquanto estou no carro, parado - também é um pouco a minha casa - oiço música africana que me lembrou um festival de sons vividos em Amesterdão. Tão longínquo. As cores, a comida, o movimento dos corpos. Tão longe.
Para onde?
Vejo e sinto uma séries de coisas fossilizadas, paradas no tempo e na minha indisponibilidade de conseguir ser. A música morreu, a arte morreu, a escrita definha, a cultura a ser esquecida. Ganho mais, mas empobreço.
Vejo e sinto uma séries de coisas fossilizadas, paradas no tempo e na minha indisponibilidade de conseguir ser. A música morreu, a arte morreu, a escrita definha, a cultura a ser esquecida. Ganho mais, mas empobreço.
Para onde?
Vou vender a minha guitarra, o meu piano. O resto não tem valor de mercado. Estou cansado.
Vou vender a minha guitarra, o meu piano. O resto não tem valor de mercado. Estou cansado.
Para onde?
O cosmos do Carl Sagan devolve-me à minha insignificância e à não capacidade mental de apreender tais viagens...
O cosmos do Carl Sagan devolve-me à minha insignificância e à não capacidade mental de apreender tais viagens...
Para onde?
Não me consigo decidir. Uma imperial à beira mar, mas será que há lugar para o carro, será que se estará bem? Tenho que conduzir até lá. Estou tão cansado de conduzir.
Não me consigo decidir. Uma imperial à beira mar, mas será que há lugar para o carro, será que se estará bem? Tenho que conduzir até lá. Estou tão cansado de conduzir.
Para onde?
À beira rio. Demasiadas pessoas. Umas em ritmo diferente, outras deixando-se cair exuberantemente, outras conhecidas. E apetece-me estar escondido. O problema: o esconderijo transforma-se em prisão
À beira rio. Demasiadas pessoas. Umas em ritmo diferente, outras deixando-se cair exuberantemente, outras conhecidas. E apetece-me estar escondido. O problema: o esconderijo transforma-se em prisão
Sinto-me arrasado, pesado e triste.
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