terça-feira, julho 01, 2008

Coração

O meu coração escalda. A sala está muito quente. Respiro fundo, ligo o ar condicionado. Vejo e revejo prioridades, conciliações, escolhas, enfim, vidas... Hoje tenho que fazê-lo a sós. Escrevo, contudo, buscando partilhar algo, para que ganhe um sentido. Falo, em surdina, com os meus pensamentos. Estão difíceis de sair. Tal como os sonhos.
O ar condicionado manifestou-se. Decidiu, a meu comando, começar a refrescar a sala. O meu coração, no entanto, escalda.
Talvez tenham passado alguns anos de chegadas, partidas, sempre de coração a escaldar. Porque o meu coração é vivo e gosta de emoções. Escalda. Torna-se quente, irrigado de paixão, pelas coisas que me apaixonam... Ele, às vezes, contudo, parece ressentir-se perante as possibilidades de não poder ser mais irrigado da mesma forma. Aí, esfria. Ai, se esfria. Mas agora, escalda. Até porque continua calor na sala.
Talvez esteja doido, como me disse a Carla Maria. Talvez sim. Aliás, diria até que, se calhar, sou mesmo doido, se isso se tratar de ser meio cabeça no ar, distraído, um pouco centrado em mim mesmo, principalmente quando o coração escalda e esfria em pouco tempo. É verdade, reconheço, não sou normal. Graças a Deus! - Confesso que tive dúvidas na opção de letra maiúscula ou minúscula. Optei pela maiúscula. Gosto de sentir um pouco de fé. Para dizer a verdade, acho que a ganhei - Pai simbólico e vivências de proximidade na descoberta de pais simbólicos. Já sei rezar o "Pai Nosso". Obrigado Carla.
É bom poder ficar grato relativamente àqueles que nos fazem cócegas boas por dentro (esta é quase à Edu) e nos fazem crescer. Sim, mais uma vez, eu quero. Eu quero crescer. E, para isso, aí vem o Tio Amaral bioniano, é preciso tudo positivo: ódio, amor, e conhecimento. Amar, pensar, e fé. Também é preciso acreditar.
O ar condicionado não funciona. Desliguei-o. Optei pela solução natural: abri a janela para deixar entrar a brisa da terra. E o coração escalda, vermelho, irrigado, pela paixão do crescimento. Obrigado Rui.
E, sem sustentação do simbólico, esta gratidão pelo amadurecimento - tal qual vinho, esperemos que de castas de alguma qualidade, a amadurecer em madeiras robustas e nobres - não seria de todo viável. Por não terem inviabilizado nada disto, nutro muito amor pelo meu pai - que estará sempre guardado, pelo meu pai adoptivo - que me fez crescer, pelo meu pai-terapeuta - que me tem ajudado a ser, pela minha mãe - que me gerou com muita esperança e alegria e está sempre lá; pelos meus amigos, que têm apurado tudo o que eu sou e onde me revejo, nas qualidades, nas ambições, nos bloqueios e nas dificuldades - estão sempre lá; Naqueles que recriam sempre a alegria e o sentido do meu dia a dia e com os quais tive o privilégio de ser escutado e de escutar, sempre com o coração irrigado. A todos os outros, por me mostrarem que tanta coisa é possível e que nada que seja humano pode ser perfeito. Estou grato. Muito grato.
Todos virão comigo em mais uma viagem.

1 comentário:

mj disse...

oi joão!
então esse primeiro dia? gostaste da professora? :D
um abraço grande, rapaz e fica bem

p.s. então o cris sempre é gay?
lolol