O dia a dia nem sempre é fácil. Quebram-se resistências, procuram-se balões de oxigénio ou então, pelo menos, tão somente o sentido das vivências com que nos deparamos no quotidiano. Às vezes parece que nos sentimos perdidos. Noutros momentos encontramo-nos. Revemo-nos nas pessoas que amamos, num livro qualquer que preenche um bocadinho mais por dentro, numa peça de teatro onde, subitamente, quase sem nos apercebermos, damos por nós como actores principais, revivendo e reactualizando os enredos das nossas próprias histórias. Em certas alturas, ainda que possamos não estar sozinhos, sentimo-nos desamparados e, consequentemente, até desorganizados. Ficamos assustados. Recuamos perante tais sentimentos. Fechamo-nos de nós para nós. Para o outro também. Temos um objectivo apenas: o da funcionalidade. Ficamos confusos porque o que está dentro vai ficando isolado, inacessível. Tornamo-nos cada vez mais normais, mas cada vez menos realizáveis enquanto seres únicos e contributivos para a evolução criativa da humanidade. Deparamo-nos com um dos maiores obstáculos, se não o maior da vida psíquica: a recusa da capacidade de pensar os pensamentos. A rigidez de um tipo de pensamento concreto, factual e limitado parece ligar-se a uma fria pseudo-emocionalidade. Esta, vivida com medo da perda do controlo e disfarçada pela ilusão/satisfação per consumo, atinge um número crescente de pessoas. Constatamos, pois, com preocupação, que o humano enquanto ser reflexivo, aberto à experiência e aos pensamentos parece estar inscrito cada vez mais numa estranha forma de vida...
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