quarta-feira, janeiro 17, 2007

"Simplex"

É curiosa a forma como, quotidianamente, se sente o desespero do outro. Rien du rien, esse sentimento (?), complementando proactivamente a anestesia dos “simplexes” tecnológicos que se aventuram solitariamente nas casinhas e casarões de cada família, junto aos miúdos e miúdas, homens e (algumas) mulheres. Mascarados sob vários nomes, lembrando ângulos que não levam a lado nenhum, ou a PSP, a Polícia de Segurança Pública, mas sem a presença dos “cabeças de giz”, polícias sinaleiros, para orientarem o trânsito interno.
Não penso, contudo, que o papel demoníaco para um certo estado de vazio interior, muitas vezes disfarçado por ingestões compulsivas de BIG’s de qualquer género, comidas, carros luxuosos, telemóveis pink, pack, ou Dolce Gabbana, possa ser entregue aos videojogos. Do mesmo modo, acrescento que algumas novas tecnologias, paradoxalmente, dado que muitas são desenvolvidas com o intuito de "connecting people", parecem justificar determinadas posturas e pensamentos tais como “não faz mal ninguém brincar com o meu filho, ele está sempre a jogar computador”, “ele fica entretido enquanto eu não chego, e, mesmo quando já estou em casa, está sempre a jogar”, legitimando um tipo de abandono particular das sociedades desenvolvidas (?), mas humano.
Parece que o Glamour não passa pela alma, nem pelas cores internas com que ela se possa vestir. Passa por cada um descobrir o colorido Floribella idiossincrático, quando isso ainda é possível, para ir adquiri-lo a um shopping, daqueles que há muitos, e que são todos diferentes uns dos outros, fazendo de contas… sem fazer de contas. Consumindo sem conhecer… Querendo sem crer, no que vai por dentro…

1 comentário:

amora disse...

Ainda bem que ainda há quem lute por não se perder - e não perder os outros - por dentro...
Beijinho na ponta do nariz =)