Uma vez a minha mãe disse-me que a areia é a rocha puída de amores. "Caraças", pensei, e fiz logo um castelo forradinho com as conchas mais bonitas que achei na praia.
Mas não quis acreditar quando, sem eu dar por isso, a maré subiu e as ondas derreteram, de um só rombo, todo o flanco da ala norte. Minutos depois, não sobrava uma ruína para contar a história da minha Pompeia.
Deus sabe que lutei com todas as minhas forças para evitar o inevitável (aliás, acho que Ele e o meu pai já sabiam que qualquer esforço humano seria inútil para recuperar aquele amor, mas não me disseram nada, os grandes cretinos...).
"O que é o mar?", perguntei então à minha mãe.
"É a vida", disse.
Paulo Campos dos Reis
1 comentário:
Um dos poemas mais expressivos que conheço. Adoro
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